Cólica do bebê: o que é, quanto dura e o que realmente ajuda
Todo fim de tarde, o mesmo choro forte, o rosto vermelho, as pernas dobradas, e nada parece resolver. Respire: isso tem nome, tem fim, e você não está fazendo nada de errado.
Atualizado em 13 de outubro de 2026 · fontes verificadas em 13 de outubro de 2026
Em resumo
Chama-se cólica quando um bebê saudável chora mais de 3 horas por dia, mais de 3 dias por semana, por pelo menos uma semana. Costuma começar nas primeiras semanas e melhorar por volta dos 3 ou 4 meses. Colo, ritmo e calma ajudam; gotas e chás não têm evidência. Febre, vômitos ou bebê que não mama pedem pediatra.
Como saber se é cólica
O NHS usa a definição clássica: um bebê saudável que chora mais de 3 horas por dia, mais de 3 dias por semana, por pelo menos 1 semana. O choro costuma vir no fim da tarde ou à noite, o bebê fica vermelho, fecha os punhos, dobra as pernas para a barriga e é muito difícil de acalmar.
Uma meta-análise de 28 estudos com diários de choro de 8.690 bebês (Wolke e colegas, 2017) mostrou que:
- nas primeiras 6 semanas, os bebês choram ou ficam agitados em média cerca de 2 horas por dia (117 a 133 minutos);
- aos 10 a 12 semanas, a média cai para pouco mais de 1 hora (68 minutos);
- a cólica atinge 17% a 25% dos bebês nas primeiras 6 semanas, cerca de 11% às 8 a 9 semanas e menos de 1% às 10 a 12 semanas.
Ou seja: é comum, e tem prazo.
É normal?
Chorar muito à noite com a barriga dura, soltar gases, ficar vermelho e depois mamar e dormir bem é o retrato típico da cólica. O bebê cresce, mama e, entre as crises, está bem. Isso é tranquilizador, mesmo que as noites sejam duras.
O que acalma (e vale testar)
Nenhuma técnica funciona sempre. Teste uma por vez, com calma:
O que não tem evidência ou não é seguro
- Gotas, ervas e probióticos vendidos para cólica: o NHS diz que não são recomendados e não têm evidência de benefício.
- Manipulação da coluna ou osteopatia craniana: pouca evidência, e pode machucar o bebê (NHS).
- Chá, água ou suco antes dos 6 meses: desnecessários para quem mama no peito, segundo a Caderneta.
- Cortar leite e outros alimentos da dieta da mãe por conta própria: a AAP diz que menos de 5% do choro de cólica vem de sensibilidade alimentar. Só com o pediatra.
- Remédio sem receita: fale com o pediatra sobre o remédio e a dose.
O que o pediatra vai perguntar
O CAB 33 do Ministério da Saúde orienta o profissional a avaliar o estado geral do bebê, quando o choro começou e quanto dura, como está a alimentação, o xixi e o cocô, a dieta da mãe se ela amamenta, sinais de refluxo, histórico de alergia na família e o que melhora ou piora o choro. Anote isso durante dois ou três dias: a consulta fica muito mais útil.
Quando procurar o pediatra
Procure o pediatra ou a UBS se:
- o choro mudou de repente, ficou fraco, gemido ou muito agudo;
- o bebê tem febre, sobretudo antes dos 3 meses (febre no bebê);
- vomita com força, vomita verde, ou tem sangue nas fezes;
- não mama, mama muito pouco ou não ganha peso;
- a cólica continua depois dos 4 meses (NHS);
- você sente que não está dando conta.
Procure atendimento imediato diante de qualquer sinal de perigo da Caderneta: bebê molinho, muito sonolento, com dificuldade para respirar, convulsão ou manchas arroxeadas.
Em Portugal
A DGS inclui o esclarecimento sobre obstipação e cólicas nas primeiras consultas do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. Em caso de dúvida fora do horário do centro de saúde, ligue para o SNS 24 (808 24 24 24).
Para o parceiro ou parceira
A cólica é cansativa para os dois, e quem amamenta muitas vezes fica com a parte maior. Façam turnos de verdade: uma pessoa fica com o bebê das 18 h às 21 h enquanto a outra dorme ou toma banho sem pressa. Se for você a perder a paciência, lembre-se: colocar o bebê no berço e sair um momento é seguro; sacudir, nunca. E se a mãe estiver chorando todos os dias, sem conseguir dormir mesmo quando pode, falem com a equipe de saúde: pode ser mais do que cansaço.
O que os pais perguntam
Até quantos meses dura a cólica?
Segundo o NHS, a cólica costuma parar por volta dos 3 a 4 meses. Uma meta-análise de 28 estudos mostrou que o choro diminui bastante depois de 8 a 9 semanas e que, aos 10 a 12 semanas, menos de 1% dos bebês ainda preenche os critérios de cólica.
Remédio ou gotas para cólica funcionam?
O NHS diz que gotas anticólica, suplementos de ervas e probióticos vendidos em farmácia não são recomendados e que não há evidência de que ajudem. Qualquer remédio, só com orientação do pediatra, que define o produto e a dose.
Posso dar chá para cólica?
Antes dos 6 meses, não. A Caderneta da Criança orienta que o bebê em aleitamento exclusivo não precisa de chá, água ou suco até os 6 meses. Se o bebê toma fórmula, também não ofereça chá sem orientação.
A mãe precisa cortar leite e outros alimentos?
Não por conta própria. A Academia Americana de Pediatria diz que menos de 5% do choro de cólica vem de sensibilidade alimentar. Se o pediatra suspeitar, ele orienta uma retirada de um alimento de cada vez, por cerca de duas semanas.
Fontes
- NHS — Colic (em inglês) verificada em 13 de outubro de 2026
- NHS — Soothing a crying baby (em inglês) verificada em 13 de outubro de 2026
- HealthyChildren.org (AAP) — Colic relief tips for parents (em inglês) verificada em 13 de outubro de 2026
- Ministério da Saúde — Cadernos de Atenção Básica nº 33, Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento (choro excessivo) verificada em 13 de outubro de 2026
- Ministério da Saúde — Caderneta da Criança, Passaporte da Cidadania, 7ª edição (O choro do bebê; Sinais de perigo) verificada em 13 de outubro de 2026
- DGS — Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (Norma 010/2013) verificada em 13 de outubro de 2026
- Wolke D, Bilgin A, Samara M (2017), Systematic Review and Meta-Analysis: Fussing and Crying Durations and Prevalence of Colic in Infants, Journal of Pediatrics (DOI 10.1016/j.jpeds.2017.02.020, PMID 28385295) verificada em 13 de outubro de 2026
A Mamavela informa; este guia não substitui sua obstetriz, seu médico ou seu pediatra, que conhecem a sua situação. Na dúvida, fale com eles. Em caso de emergência: 192 (SAMU, Brasil) ou 112 (Portugal).