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Telas e crianças pequenas: quanto, quando e como

O desenho que salva o jantar, o celular na fila do médico. Ninguém aqui vai julgar você: a ideia é saber o que dizem as recomendações e montar regras possíveis para a sua casa.

Atualizado em 13 de outubro de 2026 · fontes verificadas em 13 de outubro de 2026

Em resumo

A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, orienta que crianças menores de 2 anos não sejam expostas a telas e que, de 2 a 5 anos, o tempo máximo seja de uma hora por dia. A OMS recomenda o mesmo: quanto menos, melhor. Sem telas nas refeições nem no quarto, e sempre com conteúdo adequado à idade.

O que dizem as recomendações

IdadeMinistério da Saúde (Caderneta da Criança)OMS 2019
Menos de 2 anosNão expor a TV, celular, tablet, computadorTela parada não recomendada com 1 ano
2 anosNo máximo 1 hora por diaNo máximo 1 hora; quanto menos, melhor
3 a 5 anosNo máximo 1 hora por diaNo máximo 1 hora; quanto menos, melhor
Até 10 anosSem TV ou computador no próprio quarto—
Antes dos 12 anosNão ter celular ou smartphone próprio—

A Caderneta explica o porquê: o tempo exagerado diante dos aparelhos reduz as brincadeiras que exercitam o corpo, diminui a interação com os cuidadores e com outras crianças e expõe a conteúdos impróprios. A Sociedade Brasileira de Pediatria publicou, em 2024, uma atualização do manual #MenosTelas #MaisSaúde com mais alertas sobre proteção digital.

O que a pesquisa mostra

Um estudo canadense acompanhou cerca de 2.400 crianças. Mais tempo de tela aos 24 e aos 36 meses esteve associado a resultados piores em testes de triagem do desenvolvimento aos 36 e aos 60 meses (Madigan e colegas, 2019). Não é motivo para pânico por um desenho; é um bom argumento para que a tela não ocupe o lugar da conversa, da brincadeira e do sono.

O combinado da família, em 6 regras

Bom saber

Avise antes de desligar: «quando acabar este episódio, desligamos». Um timer visível ajuda a evitar a birra do fim da tela. Veja também como lidar com a birra.

E o exemplo dos adultos?

A Caderneta da Criança lembra que a interação com os adultos é essencial e pede atenção ao tempo que nós passamos no celular. Crianças imitam. Deixar o celular em outro cômodo durante o jantar e a hora de dormir já muda muito.

Em Portugal

As recomendações da OMS valem igualmente; o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil da DGS inclui os hábitos de televisão, computador e novas tecnologias entre os temas das consultas de saúde infantil.

Quando conversar com o pediatra

É normal?

Uma criança que chora quando a tela acaba, num dia cansativo, está dentro do esperado. O que conta é o padrão do dia a dia.

Fale com o pediatra (ou na UBS) se a criança:

  • não se interessa por pessoas ou por outras crianças, só pela tela;
  • tem atraso na fala ou perdeu palavras que já dizia;
  • fica muito agressiva ou não consegue se acalmar sem um aparelho;
  • dorme mal e passa muitas horas por dia diante de telas.

Para o parceiro ou parceira

Escrevam o combinado juntos e colem na geladeira: hora, duração, onde se pode e onde não se pode. Quem desliga a tela é o adulto que estiver com a criança, sem precisar «esperar o outro chegar».

O que os pais perguntam

Criança de 1 ano pode ver desenho?

A recomendação é não. A Caderneta da Criança orienta que menores de 2 anos não sejam expostos a TV, celular, tablet e computador, porque nessa idade a convivência com as pessoas é o que constrói os laços e a linguagem. A OMS também não recomenda tela para crianças de 1 ano.

Quanto tempo de tela para uma criança de 3 anos?

No máximo uma hora por dia, de 2 a 5 anos, segundo a Caderneta da Criança e a OMS, que acrescenta: quanto menos, melhor. De preferência com um adulto junto e conteúdo adequado à idade.

Videochamada com os avós conta?

A preocupação das recomendações é com o tempo de tela parado, sem interação. Uma videochamada curta, com um adulto ao lado conversando, é bem diferente de vídeos em sequência. Use o bom senso.

Dar o celular para a criança comer é um problema?

É. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde explica que, com tela, a criança come no automático, sem perceber a fome e a saciedade, o que pode levar a comer demais ou de menos.

Fontes

  1. Ministério da Saúde — Caderneta da Criança, Passaporte da Cidadania, 7ª edição (Observando com cuidado o uso dos eletrônicos) verificada em 13 de outubro de 2026
  2. OMS — To grow up healthy, children need to sit less and play more (diretrizes para menores de 5 anos, 2019) verificada em 13 de outubro de 2026
  3. Ministério da Saúde — Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, versão resumida verificada em 13 de outubro de 2026
  4. Fiocruz, Portal de Boas Práticas — SBP, #MenosTelas #MaisSaúde, atualização 2024 (ficha) verificada em 13 de outubro de 2026
  5. Madigan S et al. (2019), Association between screen time and children's performance on a developmental screening test, JAMA Pediatrics (DOI 10.1001/jamapediatrics.2018.5056, PMID 30688984) verificada em 13 de outubro de 2026

A Mamavela informa; este guia não substitui sua obstetriz, seu médico ou seu pediatra, que conhecem a sua situação. Na dúvida, fale com eles. Em caso de emergência: 192 (SAMU, Brasil) ou 112 (Portugal).

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