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Café e álcool na gravidez: o limite do café e o zero do álcool

O cafezinho pode continuar, com conta. A cerveja, o vinho e a caipirinha, não. Os números de referência, as fontes de cafeína que pouca gente lembra e o que fazer se você bebeu antes de saber.

Atualizado em 13 de outubro de 2026 · fontes verificadas em 13 de outubro de 2026

Em resumo

Na gravidez, a referência europeia e britânica é de no máximo 200 mg de cafeína por dia, somando café, chá preto, verde e mate, refrigerantes de cola, guaraná, energéticos e chocolate. Para o álcool, não existe quantidade nem fase segura: o mais seguro é não beber nada. Se bebeu antes de saber, pare agora e conte na consulta.

Café: o limite de 200 mg por dia

A EFSA, autoridade europeia de segurança alimentar, concluiu que, para grávidas e lactantes, até 200 mg de cafeína por dia, de todas as fontes, não trazem preocupação para o feto. O NHS adota o mesmo limite e explica que cafeína em excesso foi associada a mais risco de aborto espontâneo e de natimorto. O Colégio Americano de Obstetras (ACOG) também considera que um consumo moderado, abaixo de 200 mg por dia, não parece ser um fator importante de aborto ou de parto prematuro.

Onde está a cafeína

Os valores abaixo são as estimativas do NHS. A cafeína de um café brasileiro, coado ou espresso, varia muito com o pó e o tamanho da xícara.

Bebida ou alimentoCafeína aproximada
Xícara de café solúvel100 mg (coado e de cafeteria: pode ser mais)
Xícara de chá preto ou verde75 mg
Lata de refrigerante de cola40 mg
Lata de energético (250 ml)80 mg
Barra de chocolate amargo (50 g)menos de 25 mg
Barra de chocolate ao leite (50 g)menos de 10 mg

Também têm cafeína: chimarrão, tereré e chá-mate, guaraná (o refrigerante e o pó), alguns suplementos "para energia" e certos remédios para dor de cabeça. Leia os rótulos.

Como fazer na prática

Café e chás também atrapalham a absorção do ferro: o protocolo do Ministério da Saúde orienta não tomá-los junto com o suplemento de ferro.

Álcool: nenhuma quantidade segura

O programa de vigilância da gravidez da DGS é direto: em relação ao álcool, não existe nem uma dose segura nem uma fase da gravidez em que o consumo seja inócuo. O NHS explica que o álcool passa pela placenta, que o fígado do bebê ainda não consegue processá-lo e que beber aumenta o risco de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso.

O efeito mais grave é o espectro de transtornos alcoólicos fetais (TEAF ou FASD), que acompanha a criança a vida inteira: dificuldades de aprendizagem e de comportamento, problemas em órgãos e articulações, hiperatividade, dificuldades de fala. Um estudo publicado na Lancet Global Health (Popova e colegas, 2017) estimou que o consumo de álcool na gravidez é comum em muitos países, o que torna essa orientação importante para todas, não só para quem bebe muito.

Vale para cerveja, vinho, destilados, caipirinha, licor e bebidas "ice". Comida feita com bebida alcoólica que não ferveu bastante também conta.

Se você bebeu antes de saber

É muito comum. O NHS orienta parar a partir de agora e não se angustiar à toa: o risco provavelmente é baixo. Conte na consulta, para a equipe saber e acompanhar, sem julgamento.

Se está difícil parar

Isso acontece, e há ajuda sem julgamento. Fale com a equipe da UBS, que pode encaminhar você ao serviço de saúde mental e de cuidado com álcool e outras drogas do seu município. O CVV atende pelo 188, 24 horas, se você precisar conversar.

É normal?

É normal perder a vontade de café ou de bebida alcoólica no começo da gravidez: muitas mulheres passam a ter aversão ao cheiro e ao gosto.

Quando procurar atendimento

  • Palpitação, tremor ou insônia forte depois de muito café ou energético.
  • Qualquer consumo de álcool que você não consegue interromper.
  • Mal-estar, vômitos ou desmaio depois de beber.

Para o parceiro ou parceira

O jeito mais concreto de apoiar é parar junto: sem bebida alcoólica em casa, drinks sem álcool nas festas e nada de insistir com "só um golinho". Brindar com suco também é brindar.

Em Portugal

Em Portugal, a DGS pede que todas as grávidas sejam questionadas sobre o álcool em cada consulta e aconselhadas a não beber nada. O limite europeu da EFSA para a cafeína, 200 mg por dia, aplica-se igualmente. Se precisar de ajuda para deixar de beber, fale com o médico de família.

O que os pais perguntam

Grávida pode tomar café?

Pode, com moderação. A EFSA considera que até 200 mg de cafeína por dia, de todas as fontes, não trazem preocupação para o bebê. Como a quantidade de cafeína varia muito de um café para outro, prefira xícaras pequenas e conte também chás, refrigerantes e chocolate.

Quantas xícaras de café por dia na gravidez?

O NHS estima cerca de 100 mg numa xícara de café solúvel, e mais no café coado ou de cafeteria. Na prática, duas xícaras pequenas por dia costumam ficar perto do limite, desde que não haja outras fontes de cafeína.

Uma taça de vinho de vez em quando faz mal?

Não existe uma quantidade comprovadamente segura. A DGS e o NHS orientam não beber nada durante a gravidez, porque o álcool passa pela placenta e o bebê não consegue metabolizá-lo.

Bebi antes de saber que estava grávida. E agora?

Não entre em pânico. O NHS lembra que o risco, nesse caso, provavelmente é baixo. Pare de beber a partir de agora e conte na consulta de pré-natal, sem medo de julgamento.

Cerveja sem álcool pode?

Muitas cervejas "sem álcool" ainda têm um pouco de álcool. Leia o rótulo e prefira as que indicam 0,0 %, ou fale com a equipe.

Fontes

  1. EFSA — Caffeine (perguntas e respostas sobre a segurança da cafeína) verificada em 13 de outubro de 2026
  2. NHS — Foods to avoid in pregnancy (cafeína) verificada em 13 de outubro de 2026
  3. NHS — Drinking alcohol while pregnant verificada em 13 de outubro de 2026
  4. DGS — Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco (álcool e substâncias psicoativas) verificada em 13 de outubro de 2026
  5. EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies (2015), Scientific Opinion on the safety of caffeine, EFSA Journal (DOI 10.2903/j.efsa.2015.4102) verificada em 13 de outubro de 2026
  6. Popova S, Lange S, Probst C et al. (2017), Estimation of national, regional, and global prevalence of alcohol use during pregnancy and fetal alcohol syndrome, The Lancet Global Health (DOI 10.1016/S2214-109X(17)30021-9) verificada em 13 de outubro de 2026
  7. ACOG — Moderate caffeine consumption during pregnancy (Committee Opinion 462) verificada em 13 de outubro de 2026
  8. Ministério da Saúde — Protocolos da Atenção Básica, Saúde das Mulheres (2016) verificada em 13 de outubro de 2026

A Mamavela informa; este guia não substitui sua obstetriz, seu médico ou seu pediatra, que conhecem a sua situação. Na dúvida, fale com eles. Em caso de emergência: 192 (SAMU, Brasil) ou 112 (Portugal).

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