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Analgesia no parto: as opções para a dor, sem culpa

Querer ou não querer anestesia é escolha sua, e você pode mudar de ideia no meio do caminho. O que existe, como funciona e o que as Diretrizes Nacionais dizem sobre cada opção.

Atualizado em 13 de outubro de 2026 · fontes verificadas em 13 de outubro de 2026

Em resumo

A analgesia de parto mais eficaz é a peridural ou a combinada raqui-peridural, feita por anestesiologista no hospital. As Diretrizes Nacionais dizem que o pedido da mulher já é indicação suficiente, em qualquer fase e dilatação. Ela não aumenta a chance de cesárea nem causa dor nas costas duradoura. Água morna, massagem e movimento ajudam antes ou junto.

Sem remédio: o que as Diretrizes recomendam oferecer

As Diretrizes Nacionais pedem que os métodos não farmacológicos sejam oferecidos antes dos remédios, e que a escolha da mulher seja apoiada:

  • Imersão em água morna (banheira ou chuveiro), sempre que possível.
  • Massagem feita pelo acompanhante ou pela doula.
  • Técnicas de relaxamento e respiração.
  • Movimento e mudança de posição: andar, bola, banqueta, quatro apoios (veja posições para o parto).
  • Música de sua escolha, aromaterapia, e acupuntura ou hipnose se houver profissional habilitado.

Elas desaconselham a injeção de água estéril e a estimulação elétrica (TENS) no trabalho de parto estabelecido.

Óxido nitroso

O óxido nitroso a 50%, inalado por máscara, pode ser oferecido quando disponível. Você mesma controla. Ele não tira toda a dor; as Diretrizes avisam que pode dar náusea, tontura, vômito e alteração da memória, e o NHS acrescenta que, se incomodar, basta parar de usar.

Opioides na veia ou no músculo

As Diretrizes não recomendam o uso de rotina: aliviam pouco a dor e podem causar náusea e sonolência na mãe, deixar o bebê sonolento e atrapalhar o início da amamentação.

Peridural e raqui-peridural

É a analgesia mais eficaz. Um anestesiologista coloca um cateter fininho nas costas, perto dos nervos que levam a dor do útero, e o remédio passa por ele enquanto for preciso. A peridural e a combinada raqui-peridural são igualmente eficazes; a escolha depende da experiência do anestesiologista (Diretrizes, recomendação 48). O efeito começa em cerca de 10 a 20 minutos (MedlinePlus).

Quando pedir. As Diretrizes Nacionais são claras: o pedido da mulher é indicação suficiente, independentemente da fase do parto e da dilatação, inclusive na fase latente com dor intensa, depois de tentar os métodos sem remédio.

O que você precisa saber (Diretrizes, recomendação 45):

Peridural
OndeSó em ambiente hospitalar
AlívioMais eficaz que os opioides
Dor nas costas a longo prazoNão aumenta
Duração do 1º período e cesáreaNão aumenta
Período expulsivoPode ficar mais longo; mais chance de parto instrumental
Monitoração e mobilidadeMais monitoração; a mobilidade pode diminuir

A revisão Cochrane de Anim-Somuah e colegas (2018), com mais de 11 mil mulheres, concluiu que a peridural alivia mais a dor e aumenta a satisfação, sem efeito sobre a cesárea, a dor nas costas a longo prazo ou o Apgar do bebê. O aumento de parto instrumental não apareceu nos estudos feitos depois de 2005, com as técnicas atuais de baixa dose.

Efeitos possíveis: pernas pesadas, queda passageira da pressão (por isso o soro na veia), tremores (MedlinePlus), dificuldade para urinar. O NHS cita dor de cabeça em cerca de 1 a cada 100 casos, que tem tratamento.

No período expulsivo com peridural

As Diretrizes recomendam, depois da dilatação completa, esperar pelo menos 1 hora antes de começar a fazer força, a não ser que você queira ou a cabeça do bebê já esteja visível. Isso dá tempo de o bebê descer sozinho.

Na cesárea

A cesárea costuma ser feita com raquianestesia ou peridural: você fica acordada, sem dor. Veja a cesárea.

Planeje, mas fique livre

Procure a equipe imediatamente se, depois da analgesia,

  • sentir falta de ar, tontura forte ou formigamento que sobe pelo corpo;
  • tiver dor de cabeça forte que piora ao ficar de pé, nos dias seguintes;
  • notar febre, vermelhidão ou secreção no local da agulha;
  • perder força ou sensibilidade nas pernas por mais tempo do que o esperado.

É normal?

Pedir analgesia quando tinha planejado não pedir, ou não pedir quando achava que ia querer: as duas coisas são normais. Não existe parto mais ou menos valente.

Para o parceiro ou parceira

Conheça as preferências dela antes do dia, mas ouça o que ela pede na hora. Se ela pedir analgesia, transmita o pedido à equipe sem tentar convencê-la do contrário. Massagem firme na lombar e água morna nas costas ajudam muito nas fases iniciais.

Em Portugal

A epidural é chamada assim mesmo; pergunte na consulta de preparação para o parto como se pede no seu hospital. Em urgência, 112.

O que os pais perguntam

Posso pedir analgesia no parto pelo SUS?

As Diretrizes Nacionais dizem que a solicitação da mulher é indicação suficiente para a analgesia, em qualquer fase do parto. Ela depende de anestesiologista e só é feita em ambiente hospitalar: pergunte na visita à maternidade como funciona lá.

Com quantos centímetros posso tomar a peridural?

Não há um número mínimo. As Diretrizes Nacionais dizem que o pedido vale independentemente da fase e do grau de dilatação, inclusive na fase latente com dor intensa, depois de tentar os métodos não farmacológicos.

A peridural aumenta a chance de cesárea?

Não. A revisão Cochrane de 2018 e as Diretrizes Nacionais não encontraram aumento de cesárea. Ela pode alongar o período expulsivo e, em estudos antigos, aumentar o uso de fórceps ou vácuo, efeito que não aparece nos estudos mais recentes.

A anestesia do parto dá dor nas costas para sempre?

Não. As Diretrizes Nacionais e a revisão Cochrane dizem que a analgesia regional não está associada a dor lombar a longo prazo. As costas podem ficar doloridas um ou dois dias no local da agulha.

Com peridural dá para andar?

Depende da dose. As Diretrizes recomendam que a gestante com peridural, quando se sentir segura, seja encorajada a andar e adotar posições mais verticais.

Fontes

  1. Ministério da Saúde / CONITEC — Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal (2017), 6.3 Alívio da dor no trabalho de parto verificada em 13 de outubro de 2026
  2. Ministério da Saúde — Caderneta Brasileira da Gestante, 2026 (plano de parto: medidas para alívio da dor) verificada em 13 de outubro de 2026
  3. NHS — Pain relief in labour (em inglês) verificada em 13 de outubro de 2026
  4. MedlinePlus — Epidural block, pregnancy (em inglês) verificada em 13 de outubro de 2026
  5. Anim-Somuah M et al. (2018), Epidural versus non-epidural or no analgesia for pain management in labour, Cochrane Database of Systematic Reviews (DOI 10.1002/14651858.CD000331.pub4, PMID 29781504) verificada em 13 de outubro de 2026

A Mamavela informa; este guia não substitui sua obstetriz, seu médico ou seu pediatra, que conhecem a sua situação. Na dúvida, fale com eles. Em caso de emergência: 192 (SAMU, Brasil) ou 112 (Portugal).

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